Como carioca da gema, mas paulista de coração, achei o máximo esse texto que recebi.

Faz mais de um ano que moro em São Paulo. E faz exatamente o mesmo tempo que escuto a mesma pergunta impossível: Rio ou São Paulo?
Digo impossível para mim, porque para muita gente deve ser facílimo escolher. Para mim, o Rio é história, São Paulo é novidade. O Rio é alegria, São Paulo é oportunidade. O Rio é família, São Paulo, independência. O Rio é beleza, São Paulo é cultura. No Rio, pouco é muito, em São Paulo, tudo é pouco.


Nos momentos de nostalgia, lembro que no Rio tudo sobra… sobra espaço, sobram sorrisos, sobra tempo, sobra simpatia. Em São Paulo falta horizonte, falta leveza, falta flexibilidade, às vezes, falta ar.

É fácil ser carioca, muito fácil. Calce suas havaianas, pegue a primeira bolsa-brinde de uma livraria charmosinha, e chame seus amigos para a praia. Ou melhor: não precisa chamar, aparece lá, naquele mesmo lugar de sempre, e encontre as pessoas de sempre.

Pegue a mesma cadeira de praia, na mesma barraquinha. Encontre aquele flanelinha que te cobra os olhos da cara, ou o cara que te vende o coco quente, mas nada importa porque é o mesmo flanelinha e o mesmo cara do coco quente. Depois vá à pé comer alguma coisa – carro para quê? -, emende no choppinho, que pode não estar na capa de nenhuma Veja, mas é Brahma, está perfeito.
Fazendo isso você gastou quase nada, mas aproveitou muito. Relaxou. Descansou. Pisou na areia. Quem sabe explicar sensação igual a um mergulho no mar?


Já em São Paulo, se você quiser se divertir, ah, tá cheio de gente disposto a te levar. Paulistano gosta de sair e gosta mesmo. Seja minimamente sociável e você terá companhia de segunda a segunda, literalmente. Tem sempre uma figura querendo te levar para comer “a melhor coxinha de São Paulo”, logo ali depois da “melhor caipirinha de kiwi”, tudo isso para terminar no “melhor lanche de fim de noite”.

O paulistano aprendeu a ser anfitrião, e está disposto a te receber, de braços abertos, como o Redentor. Tem mais: aqui ninguém faz cara de você-só-pode-estar-brincando se, com vinte e poucos anos, você chama os amigos para ir à Pinacoteca ver a exposição do Matisse. Se Nova Iorque nunca dorme, tampouco dorme São Paulo. Aliás, São Paulo no máximo tira uma soneca, porque dormir exige tempo, e tempo, você sabe, é dinheiro.
Se tem uma coisa que pode resumir meu primeiro ano de São Paulo, é dizer que, aqui, você cresce. Você cresce porque São Paulo te faz querer mais, te faz querer ser melhor. De repente você acha que todo mundo está mais bem preparado, trabalha mais, tem mais. E você quer ser assim também, mais – e melhor.

 

Mas, se São Paulo te faz querer viver mais, o Rio te faz querer viver pra sempre…

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